E m andanças, poemas,
N os verões, nas manhãs claras,
C orrendo pela vida atrás de perfumes,
A cabo me achando na brisa leve,
N os olhos serenos da criança ...
T omo fôlego na esquina sombreada,
O fereço-me à sorte... e amo os grãos de pó.
E m andanças, poemas,
N os verões, nas manhãs claras,
C orrendo pela vida atrás de perfumes,
A cabo me achando na brisa leve,
N os olhos serenos da criança ...
T omo fôlego na esquina sombreada,
O fereço-me à sorte... e amo os grãos de pó.
D os diferentes cantos da manhã
E spreito um mundo ajustado,
F ormas canonizadas pelo tempo,
E spaços visitados, pés descalços
I mpotentes ante a vida ... soberana.
T udo mostra meu porte ... débil ...
O sol me ampara, me dá ganas.
S ou a visão da espera, do pedinte...
Pedrinha jogada,
perdida
na calçada,
na rua quase deserta,
eivada pelos passos afoitos,
gananciosos, desavisados
ou apenas
errantes,
de quem não vê a rota,
nem o sol
ou o chão que pisa.
Pedrinha ínfima,
teu silêncio
é a dor do tempo,
do caminho ingênuo,
neutro ...
sem razão ... invisível.
Tua face é fria,
teu lampejo é quase nada,
Tua vida, ignorada ...
Insistes ... ora ... porque queres.
Pedrinha amiga,
às vezes penso
em ti, em tua lúcida canção,
em teus jeitos afinados
com a vida incerta, tola, vazia
que compartilhamos.
Tens minha timidez ... meu sotaque,
és minha diva, meu sopro ...
Às vezes penso em ti, demais ... pois
insisto em também pensar em mim.
Um encontro,
uma pétala que bate na janela,
um sol que acha uma folha esbelta,
um dia ... breve sonho que resvala
o infinito ... ou apenas tempo a passar.
Um desejo,
um fôlego que se arroja noite afora,
andarilho a dançar pela praça,
chamando atenção para sua loucura,
passeata alerta querendo ser lema.
Um amor,
uma estrofe, de tão breve, a se ver
romance ou epopeia, meiga e guerreira ...
Um acaso, quase fagulha, a se ver chama ...
Encontro, desejo ... instante a se querer eterno ...
Idolatrada? Não!
Sem ídolos,
só mãos, asfalto,
suor,
risos, afagos,
beijos,
arrepios ... amor!
Deus? Não!
Só se forem
profetas das letras,
dos direitos,
das ciências ...
labutadores,
obreiros da vida!
Certezas? Não!
Apenas a jornada,
o sol que acorda cedo,
o pão que vale vida,
a mão ... o tesão.
A dor sentida ... sem medo,
e o querer ... sempre!
O som que brota de dentro
do meu querer moleque,
música lenta, valsa,
estampido firme
ou poema sem fim,
acorda-me ... sol a pino
a queimar e despertar.
Volto-me às tristezas
e esperanças do menino,
às epopeias brincadas,
sonhadas ... aventuras.
Vívidos verões
e primaveras impossíveis
naquilo que me fiz pelo tempo.
Ah! Quantas letras rolaram!
E as juras! Sopros de alcova
tímidos ... gigantes ... paixão ...
A alegria sempre a queimar
e me fazer viver. Até as quedas
tontas, descabidas ... minhas ...
O doce a me seduzir,
a regra a me prender, o dia ...
Meus olhos crentes das manhãs
e as contas, os sossegos, das noites ...
Minhas promessas, futuro,
meu olhar de guerreiro, meu desejo ...
A vida andou, e eu não parei,
e não paro ... não eu!
Cada despertar, um sol novo,
a nunca me deixar ... anjo,
guarda-costa, força que aparece ...
Um dia, por descuido, sei lá,
vai me esquecer ... da vida ...
Mas esta canção ... ah! Esta, não!
Vai tocar, me fazer dançar ... até o fim.
João Luiz Muzinatti
agosto / 2021