quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Busca


Portas e caminhos ...
Céus e vendavais
andam pelo tempo.

A flor tem vigor,
viço
e histórias implícitas.

A brisa chega quieta,
mas seu toque é intenso ...
e sopra segredos.

Caras e gestos a revirar,
falas e certezas a se estranhar ...
E o pensamento ...

Ando a buscar
sei lá o quê. Uma cidadela ...
ou meu passo ...

Um pote de ouro,
mensagem novas,
ou a dúvida essencial?



terça-feira, 30 de novembro de 2021

Aquecimento global

 

Águas criam e afogam
o mistério!
Andam, misturam,
ardem,
aclaram e apagam,
sopram vidas
e abrigam a morte.

O fogo de Prometeu
aquece o querer,
saúda a lógica,
cria asas
e geometriza o selvagem.

Porém,  eleva,
mais que o sonho,
as águas que moldam o mundo:
sobem os mares ...
doem corpos e mentes.

O enredo escorrega,
se faz tonto, errante ...
entristece ...
E o mistério ...
... segue?


segunda-feira, 29 de novembro de 2021

À VIDA


Uma manhã brota da janela
como um afago entre turbulências.
As flores que desafiam o cinza
insistem na heróica missão
de ser beleza, alento,
cor de fato ... e paz.

Ouso um voo sobre a vida,
querendo-me parte (ínfima que seja)
de tal cena. Intruso, desajeitado ...
Ar, terra, luz, tudo me pertence:
a história, o sonho, o possível ...
Por que não?

À vida!


sexta-feira, 19 de novembro de 2021

VIVER



Na rua, tropeços, desencontros,
o trajeto do errante,
sonhador ... passos de fera,
olhos de menino.
Curioso, delicado, meio louco.
Andarilho que não vê a sombra!

Íngremes, as calçadas largas
fazem cambalear,
como os becos da vida ...
Vacilos, passos tortos,
a luz que não reflete:
ofusca, que azar!

Onde andam a relva limpa,
o arvoredo perfumado,
as brisas carinhosas, a sombra?
Será que existem, mesmo?
Talvez um sonho que ultrapasse
o torpor ... um regalo escondido ...
Resta só a passada, a força!
A vida chama e se despede,
vai e vem, ladeira e sonho,
dor e água fresca ...
Até onde ela quiser.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Acróstico 4

 

N os sonhos de felicidade, 

I nvadimos canteiros, 

N avegamos calmarias, 

G otejamos néctares ... 

U m céu perene, límpido ... 

É  fantasia esnobe, fugaz. 

M esmo assim, pois, voamos ...


Acróstico 3

M eu olhar viaja alhures! 

U m horizonte plácido, quem sabe. 

N uvens bailarinas, desenhistas, 

D ivas esbeltas, sedutoras ... 

O  som da vida me atrai ... e caminho.


Acróstico 2

 

E m andanças,  poemas, 

N os verões, nas manhãs claras, 

C orrendo pela vida atrás de perfumes, 

A cabo me achando na brisa leve, 

N os olhos serenos da criança ... 

T omo fôlego na esquina sombreada, 

O fereço-me à sorte... e amo os grãos de pó.