terça-feira, 13 de maio de 2025

MUJICA


M úsica na tarde que tempera a vida,
U nindo força titânica e verso leve!
J á não somos luzes, nosso tempo
I menso se desfaz. A vida desfolha,
C ada instante é um sopro débil.
A h! Perdemos teu sol, teu coração ...





sexta-feira, 9 de maio de 2025

quarta-feira, 7 de maio de 2025

ACORDAR


Por que andei tanto,

pobre do sentido de tanto caminho,

com as ideias a tiracolo e sol na cabeça,

valente das loucuras, refém do tempo?


Meu sóbrio murmúrio atirado

qual  hino ou espada, um aceno

às verves e aos desejos de vida, tolo?

Ou só dor que não se assume?


Havia destino, ou só acenos 

da história vivida ao revés, dos sonhos

aparvalhados ou proféticos ... arroubos

insolentes e heroicos? Um filme me passa.


Onde ancorar o galeão imponente 

do sangue quente, da poesia latente

ou atirada? O arauto se deita? Adormece?

Ou a vida, simplesmente, tropeça e volta?


As passadas, as regatas, o fôlego

são telas em branco, pobres esperas.

O mundo roda, a fala entorta, música nova

vem acordar. Nunca a vida desiste ... é louca.




terça-feira, 8 de abril de 2025

FASCISMO


O novo velho explode e as velhas crônicas
ganham vida. Os ditos tolos paraísos ... nem eles.
Apostas de outrora vigem nas falas confusas
e iletradas dos novos tempos. São facas afiadas,
obeliscos a outras epopeias, visão de sangue
e glórias, tremor e vertigem ... pavor.

Um cheiro de novas velhas dores, sem piedade
alastra-se entre os mentores de uma nova paz,
contaminando praças, estádios, telas, bares.
É o odor da fúria embriagada, audaz senhora
de vida e morte, sacerdotisa da fé nova
no novo mistério: vida trocada por nada mais.



quinta-feira, 3 de abril de 2025

MOZART


M inha tarde entristece; o vento canta
O s sons da vida incerta, indizível ...
Z oam implacáveis ao pobre andarilho.
A nda, então, o tempo, e as notas agora
R odam em ritmo outro: atentas, ágeis,
T ingem a dor, fazendo alento, luz.




 


segunda-feira, 24 de março de 2025

ROGO À POESIA

 

Ai, dor do verso! Sóbrio alarde
das topadas tantas nos becos,
dos desencontros pelas tardes,
dessas cantilenas sem ecos.

A voz que sofre anda iludida,
respira um perfume irreal.
Tantos sonhos! As despedidas ...
E aquilo a que chamamos "mal" ...

Quisera trazer-te, poema,
agarrado às minhas loucuras;
a beijar a sorte; um emblema
do fim dessa larga procura.

Um aceno ao futuro sol,
às novas canções que virão:
estrondo ou arranjo em bemol ...
nota mínima ... céu, paixão.




quinta-feira, 6 de março de 2025

ARTE E CIÊNCIA

 (A você, querido Ole Skovsmose, gênio, cientista, filósofo e artista.)







Ciência, és viela estreita.
Poucos os que em ti caminham:
tens piso minado, espreitas
almas pesadas. Na minha

sóbria e tímida jornada,
andas altiva, nem notas
meu olhar. Segues calada
teu passo, tua nobre rota.

Sou teu servo apaixonado.
Ávido de luz, persisto;
iludido lanço os dados
que me cabem. Gosto disto ...

Porém, meus olhos transgridem
os escritos que te brotam:
Desfocam! Meu peito, idem!
Um coração me sabota,

um desejo me atropela
a lógica. Por pirraça?
Quem sabe? Como contê-lo?
Na verdade, busco graça,

beleza, sabor, bailado.
E as fórmulas, os formatos,
tudo quanto me é mostrado,
espanta-me. Sem recato,

dou lugar a sons, canções,
perco-me em ideias novas,
sem porquês e sem razões.
De repente, versos, trovas

e um arsenal de loucuras
choca-se, implode certezas,
mancha as verdades mais puras:
vê outros dados, outras mesas,

vê o belo: mestre mais nobre!
Sem negar números, retas,
toma-os, sem que nada sobre,
e os faz tela linda, ereta,

obra gratuita, poema ...
Sim, equações viram versos;
pesquisas, dizeres, temas ...
Tudo fica submerso,

flutuando em melodias
a engalanar este mundo.
E o futuro: belos dias
hão de brotar disso tudo.

A ciência borda o pano
em cores novas que dito.
Sou artífice de um plano
maior: um riso infinito,

uma terra que é mais fértil,
um homem mais generoso.
A exatidão faz-se débil,
e, pra mim, vêm valer gozo,

encanto, desejo, vida.
A arte não define o mundo:
me aponta, encontra, lida
com seus dramas mais profundos.

Sem teorias: só com versos,
cores, melodias, dor,
risos, lamentos esparsos,
ilusão, saudade, amor ...

A ciência sóbria me chama
à razão. Grita o mistério,
e a tal elegante dama
me conduz, solerte, sério

às searas do exato.
Só que meu desejo é mais:
alicia-me e desato
o que é lógico, o que é paz.

Torno-me andarilho intruso.
E, sem dar satisfação,
à vida, então, vou ... me abuso.
Buscar, saber ...por paixão!