quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pobres da noite


Perto das horas mais longas

os passos errantes de meu sol

explodem pálidos e tísicos

gemidos

assertivas

divindades esguias

desfiguradas da história . . .

escombros da espera.

 

Longe dos dias mais leves

as finas pobres cordas

de óperas sombrias (outras)

acenam

bocejam

pobres da noite a invadir

perdidas de tanto sonho

esquecidas . . .

quinta-feira, 1 de maio de 2014

DIA DO TRABALHO


Primeiro de maio!

Na janela do feriado,

quem precisa de TV

ou Ipad,

luzes inventadas,

promessas de vida melhor . . .

Brota um sol esfumaçado,

do quadrado eloquente

da manhã quieta

e despretensiosa. Vida, quase . . .

Corpos e energias a se misturar

com paredes, cimento, desejos,

risos e sonhos, professados, ou inconfessos.

Movimento!

Dança metafísica ou mera contingência . . .

Mundo a se fazer

como sempre,

"desde sempre".

Homens quase invisíveis,

que se desvelam como massa,

operários a se enroscar

no ballet da história,

velha coreografia do rico,

vasto e livre mundo.

Mais um prédio a ser gestado,

mais vidas, dramas

e mais vidas . . .

mais história a se escrever.

Homens quebram

e reconstroem

a cidade e o cenário,

o novo sol que entrará, em breve,

pela janela que hoje os mostra,

vigorosos.

O velho e novo

(e sempre) palco das labutas nossas

de todos os dias.

O sistema, as finanças,

o alimento frio

ou a iguaria nobre.

Homens de carne e ossos

a verter seu valioso

e insignificante suor,

velha seiva que dá vida a tudo

e a todos.

Festejam, sem querer pompa,

a tardia esperança de viver

sem saber por quê.

Inventam razões entre tantas razões,

só porque seu sangue quer pulsar

e seu dia é sagrado.

Virtuosos, talentosos,

que desdenhamos

atentos ao dia,

feriado,

festa de mais uma invenção

ou tolice humana.

Não percebem aplausos,

nem apupos.

Só querem viver,

fazer parte,

criar plataformas novas

para outros (novos e antigos)

movimentos.

Espetáculo gratuito

a chegar-me aos olhos

e fazê-los verter outras águas,

mais vazias e tristes que seu suor,

afinal, sou apenas espectador,

eles são os astros.

Não vou aplaudi-los;

não vão me ouvir.

Ou, talvez, não seja eu

crítico avalizado

para arte tão confusa . . . ou sublime, sei lá!

Um café se torna brinde

ou droga . . .

Que triste é não saber os porquês . . .

E fecho a janela,

(que mais?)

pois quero mesmo é poder descansar.

Hoje é meu dia!

 

João Luiz Muzinatti  01 de maio de 2014

 

domingo, 9 de março de 2014

ERRADO É CERTO


Dia desses, por causa das chuvas, e principalmente pela falta de planejamento nos últimos (quatrocentos e sessenta) anos em São Paulo, acabei parando num barzinho justamente no momento em que deveria já estar chegando em casa. Ao invés de ficar sem andar mais uma hora num mesmo quarteirão do centro da cidade, decidi parar o carro e estacionar, também eu, num lugar muito aconchegante e tranquilo de Santa Cecília. Apesar da imensa quantidade de água que caia, a noite não se abalava e era possível sentir um pouco do antigo charme com que fui seduzido, trinta anos atrás, quando cheguei, caipira e idealista, nesta inexplicável mistura de dor e romantismo. Sentei-me numa mesinha do lado de fora - na calçada - do bar e pedi um daqueles maravilhosos sanduiches que misturam de tudo, o qual certamente deve estar nos índex de todas as alas ortodoxas de qualquer religião. Delícia! Paz! Quer dizer, quase . . .

O problema é que, com tantas águas a rolar, os trovões eram inevitáveis. Águas tormentosas, raios violentos. Noite a despejar romantismo, mas, nem por isso, imune à contundência das descargas elétricas irrompendo por todas as partes. E, mesmo já possuindo um treinamento de mais de meio século na arte da convivência com temporais, fui atingido de surpresa por raios enviesados, de alta tensão e contumacíssimos. E o pior de tudo: vindos da mesa ao meu lado.

"Errado é certo", dizia firmemente um senhor de seus cinquenta anos a um outro, bem mais velho, que estava em uma outra mesa. Ambos sozinhos, acabaram se encontrando e iniciando um diálogo que acabava sendo compartilhado com muitos de nós que ali estávamos. Mas, que história era aquela de "errado é certo"?

Aos poucos, atento que estava a todas as manifestações elétrico-explosivas da noite, fui entendendo o teor da conversa e, obviamente, a estrutura conceitual daquela frase. Observando, um pouco mais, as demais mesas do estabelecimento, orientado principalmente pelos gestos acusatórios dos dois, acabei entendendo o que acontecia. Aqueles dizeres, que acabaram se tornando um mantra por conta das inúmeras repetições ao longo do diálogo, tinham como endereço uma outra mesa.  Mais distante de todos nós, estavam cinco garotas numa conversa animada e totalmente descontraída. E, de que diabos falavam? Por que eram o alvo, afinal?

Na verdade, não se sabia do que poderiam estar falando, dada a distância entre nós e elas. E de que podem conversar jovens de seus 20 anos? Roupas, filmes, baladas, garotos, garotas . . . O problema não era a temática de sua conversa. O problema eram elas. Ficava quase que evidente, por conta dos cabelos com corte masculino de duas delas, das roupas mais despojadas e das mãos unidas de outras duas, que seriam, quase todas senão todas, homossexuais. Sim! Estavam sendo alvo de duas metralhadoras implacáveis pelo simples fato de provavelmente não serem garotas heterossexuais.

"Antigamente, não havia disto", dizia o mais jovem, enquanto sorvia um refrigerante light em lata. "Se você diz isso, imagine eu que já estou com 67 . . .", emendava o outro. E continuava: "aqui perto, havia um restaurante onde elas se encontravam e não incomodavam ninguém. Sabíamos que existiam, mas não precisávamos ficar perto delas. As famílias iam aos lugares públicos sem serem agredidas. Mas, hoje, está tudo diferente: tudo liberado. O respeito ficou para trás".

"É isso! Errado é certo! Tudo está invertido. É a natureza ao contrário. Não sei aonde vamos parar!", continuava o sujeito que devia ter quase a minha idade. E, quase que em tom de manifesto humanitário e redentor, sacramentou: "já estou perdendo a minha paciência! Meu tempo de ser bonzinho já está se esgotando!"

O que estaria querendo dizer com isto? Era uma ameaça às moças - que, felizmente, nem sabiam que estavam gerando tanta ira e virulência - ou a todos nós que estávamos ali, e que nem teríamos notado a presença delas, não fossem os dois? Represália à nossa insensibilidade? Seria um manifesto de combate e repúdio à tal sociedade que, a seu ver, distorce e inverte os valores? Um apelo "democrático" por uma sociedade mais justa, na qual o direito de não conviver com os diferentes seria respeitado e priorizado? Talvez uma composição de tudo isso: um solene basta a tudo aquilo que se contrapõe às velhas certezas e aos absolutos que sempre tornaram a vida mais segura e suave de ser vivida - pelo menos, para grande parte das pessoas.

No meu canto, entre solidário às ingênuas meninas - que pareciam ignorar sua condição de ameaça iminente à sobriedade civil - e confuso ante as ameaças do imponente guardião da moral, comia já sem gosto e pensava em tantos alunos (que já tivera) e em meus filhos, andarilhos da vida. O que estaria sendo reservado para eles? Estariam seguros, hoje e nos próximos meses e anos? Não conseguia parar de pensar nas histórias dos anos sessenta, trinta . . . Na "marcha da família com Deus pela liberdade", nos clamores por ordem, nas ameaças comunistas e nas tantas "democracias ao nosso modo", que tingiram de tristeza tanto tempo de nossa história.

Não pude deixar de pensar que aquelas falas não estavam só ali. Já ouvira similares em festinhas de três anos, em clássicos no Pacaembu, em rodas de amigos num bar qualquer da vila Madalena, conversas do facebook e - nem quero pensar muito -  em sala de professores. Que diabos será isso? A história vai e volta, vai e volta? Ou são novas farsas que nos enganam a mente, a todo instante, se travestindo de antigas tragédias revividas e vívidas? Quem seriam aqueles sujeitos? Espécimes raros, a serem levados para acervo de algum museu, ou novos arautos de velhas verdades insepultas que continuam a se impor e a encantar? Certamente, aquelas vozes e suas ideias não eram só deles. Talvez, eu tenha sido um dos poucos, ou talvez o único, a se incomodar com aquela conversa.

Quando saí dali, não disse nada a eles. Afinal, falavam entre si. Não estavam incomodando. Caso os molestasse, poderia até ser autuado por injúria ou coisa que o valha. E nem havia o que lhes falar. Afinal, estavam apenas formatando o mundo que percebem, e, com a melhor das intenções, querendo alguma paz, algum direito, sei lá. Ao passar pelas moças, seus risos me acalmaram, e a vida parece ter brilhado em algum ponto, por ali. Não sei se estava no próprio brilho ingênuo e festeiro de seus sorrisos adolescentes. Ou, quem sabe, num sonho impossível qualquer, próprio do jovem, que sempre insiste em se dizer possível. Com tanto absurdo, estava quase em paz. Uma paz diferente: triste, mas arejada. Algo meio fora dos padrões. Talvez fosse o "errado que se fazia certo", sei lá...

João Luiz Muzinatti


 

 


 

 

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O TREM

Lembro-me de que, desde muito jovem, costumava observar o trem surgindo a distância. Na cidadezinha onde vivia, havia uma visão privilegiada. Ao longe, avistava a composição gigantesca apontando no vão formado entre a vasta vegetação e uma longa montanha. E meu mundo parecia parar.
Timidamente, aparentando andar bem devagar, a locomotiva azul invadia a paisagem paralisada e seguia seu curso já conhecido, deslizando sobre os trilhos reluzentes e compondo uma obra sóbria mas eloquente. Um regalo gratuito ofertado pelas saudosas manhãs de outono. Aparecia, exibia sua imponência e beleza de deus olímpico e logo desaparecia por detrás da montanha.
Os longos vagões a seguiam, percorrendo o trajeto demarcado, e também logo sumiam, como a se esconder de mim. Fugiam da cena e me cortavam a respiração. Meu coração, de tão ávido, agora ficava apertado. Iniciava-se um intervalo com sabor de angústia, um prazer estranho . . . Um aperitivo do que a vida me traria tantas outras vezes, mais tarde, das formas mais inesperadas e até dramáticas. Impossível descrever.
Nesse instante, meus olhos corriam para o outro lado da tela. A montanha se estendia até a outra parte da cidade e era possível ver os trilhos brotando das pedras. De lá, esperava pelo renascimento daquele titã magnífico que me trazia gozo e temor. Alguns instantes - menos que um minuto - pareciam durar muito tempo. Uma odisseia particular. Um conto livre e aberto.
E pensava no que poderia estar acontecendo ali. Pessoas sentadas, gente andando, maquinistas, guardas ferroviários. Todos tornavam-se, de repente, personagens eventuais da minha narrativa secreta. A pequena história que haveria de trazê-lo à outra extremidade do meu quadro vivo.
Poderia não aparecer, caso algum comando errado o fizesse descarrilar. Talvez parasse simplesmente. Por que não? O que era certo, de fato? A chegada ao outro lado era tão inevitável quanto o sonho mais banal, mas havia naquele pedaço de mundo um recorte da vida real, onde eu já desconfiava que nada era absolutamente garantido.
E, de repente, sempre parecendo ser a primeira vez, meu coração contido se soltava e voltava à vida. Agora mais feliz, pois o gigante vencera as incertezas e os perigos da estrada,  e me acenava vitorioso. O herói cumprira mais uma vez o seu papel. O desequilíbrio se acabava e o mundo parecia voltar à normalidade. A máquina azul seguia a conduzir seu séquito, marchando novamente pelo cenário preciso que meu olhar captava e inventava.
Alguns metros após passar pela abertura na montanha, a locomotiva impávida me brindava com seu grito de vitória. Dois apitos estridentes e mágicos avisavam a gente da estação que estava chegando. Os personagens da minha epopeia certamente já estariam desfrutando de mais um daqueles momentos de folga vitoriosa que os finais felizes costumam trazer.
A mim, soava como a doce confirmação de que a vida continuava e o jogo diário da ousadia de querer vencer o obscuro valia a pena. O coração tinha mesmo de ficar apertado, pois o que vinha depois era sublime. Era a confirmação inequívoca de que os sabores  são sempre mais intensos para quem vive ávido e faminto de prazer.
E o trem desfilava, agora mais vagarosamente, aos poucos se acomodando na estação. De longe, sem pensar em mais nada, só queria mesmo poder voltar à rotina do meu dia. E a realidade, alimentada pelo sonho de um minuto, voltava a ter graça. Voltava a ser possível.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MEU (ANO) NOVO


 

O novo não vem do calendário,

nem dos fogos,

dos brindes

ou dos abraços compulsórios.

O novo vive em cada olhar,

brota em cada respirar,

querer,

partir,

voltar...

Novo é o dia,

a cada dia,

pensamento

ou ideia solta,

mágoa

ou alento.

Novo é o humano

em cada gesto,

fazendo vida,

desenhando o mundo,

a história,

o que quiser,

o que der pra ser

sempre!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O prédio da escola


O PRÉDIO DA ESCOLA                                                      João Luiz Muzinatti

Mais um ano a se acabar, e, no cenário cotidiano da escola, uma visão agora leve e pacífica. Os alunos aprovados já não vêm mais. Aqueles que se encontram em recuperação ou exame final chegam calmamente para completar as últimas etapas do longo ano que chega ao fim. Pátios silenciosos e as ruas das cercanias, quase desertas. E, tão imponente quanto comum, o prédio da escola passa a confundir-se com as outras construções, dando sua contribuição modesta ao cinza fosco que tinge o bairro. De toda a correria do ano, o que ficou foi a sensação de que os papéis foram quase todos cumpridos e as pessoas podem, enfim, descansar um pouco do conhecimento e fazer da vida algo mais prazeroso e descomprometido. É tempo de não pensar! É hora de relaxar!

Ao final de cada dia, o prédio da escola não fica apenas abandonado. Sóbrio e modesto, sabe que deve ser esquecido. Conhecedor da realidade, entende que depois de um dia de trabalho, bom mesmo é não pensar em nada. Chegando em casa, todas as noites,  as pessoas se prometem - adultos e crianças - usar apenas um pedacinho de seus cérebros. E a TV está sempre esperando com seu velho arsenal de descanso mental. Novelas e telejornais de linguagem fácil - estes geralmente trazendo notícias seguidas das devidas conclusões prontas e acabadas, dadas por comentaristas que mais parecem showmen disfarçados - vão acariciando o pensamento e fazendo-o adormecer levemente. Sem que se perceba, surge um estado de torpor benigno que afasta a todos daquilo que incomoda a vida. O trabalho dos adultos e a escola das crianças e dos adolescentes são coisas a serem esquecidas momentaneamente. Que o próximo dia se encarregue de trazer tal suplício. Agora, é hora de ser feliz!

No momento em que mais um ano vai se acabando, a morada do saber já conhece seu destino. Solidão e esquecimento! Afinal, agora o tempo joga a favor das pessoas. Hollywood, lojas exóticas (ou até as mais acessíveis), games, Facebook, entre tantas opções, prometem a redenção do árduo e tenebroso exercício do pensar. Jovens estudantes e seus pais esquecem a escola e, juntos, caminham para o paraíso doméstico da alegria de não ter de esquentar a cabeça. Férias! E, no final do ano, quase como um ritual de sacralização dos nadas nossos de cada dia, uma noite feliz de gala, shows de virada, fogos e a doce expectativa das praias de janeiro e do carnaval, que desde já, começa a se prometer.

Solitário e insosso, o prédio da escola parece, mais e mais, não servir mesmo para nada. Abandonado aos poucos, terá, no instante do crepitar dos fogos, a mais solene desatenção do ano - mais que qualquer outra. No momento em que se festeja a vida mais plena e a espera do futuro mais feliz, as salas de aula vazias e escuras, os pátios e as quadras repletos de silêncio, os letreiros apagados e as calçadas desertas constatam que não passam de meros figurantes na grandiosa trama da vida. Acostumado a não incomodar nas noites felizes e sem pensamentos de todos os dias, chega até a se gabar de poder proporcionar, agora, com sua calma e seu silêncio, mais de trinta dias sem as penúrias de aulas, provas, leituras ou trabalhos. Sonha, qual solitário enamorado de deusa distante, que está sendo lembrado. De repente, um dos estampidos parece ser em sua homenagem. Escuta-o com atenção e, com a calma de todas as noites, experimenta a paz  suprema e imbatível da mais completa das ausências.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A uns amigos


Um dia, um encontro

cheio de luzes, cores,

sem flores

ou dores . . .

A porta de um mundo

risonho, abusado,

quase ousado,

chapado . . .

até ser amado . . .

Uma lança afiada

a penetrar o nada

da vida andada,

estranhada,

pintada . . .

(em tela clara?

Sei lá! Que droga é o nada!)

Roeu de graça,

e quis ser graça

e fazer graça

(meio sem graça . . .),

feito traça,

comendo a massa,

lavando  a praça  . . .

- Que desgraça!

Mas, a prosa

e o tato:

fino trato!

E é fato:

estupefato

eu fiquei no ato!

Porém, às vezes, perco a calma.

Apesar de alma,

sou peito, palma,

ira que espalma . . .

É isso! Calma!

Mas, poetar e cantar,

“caetanear” . . .

isso lembra mar,

paisagem, pomar . . .

lembra vida a se cantar . . .

E me vestiram de cantor,

deram-me rimas, flor,

e, na surdina . . . amor!

Muito amor!

Quase não resisto: dor

virou cor,

e rotina, sabor.

Manhã ou tarde de qualquer dia

a beirar calmaria,

voavam em folia,

como a matar arrelias

e inventar ventanias

qual aroma que recria

ou frescor que sacia.

Quanto mundo foi criado

em discursos exaltados

ou até em papo furado,

não importa.

Deu, do mundo, o recado

nosso sonho partilhado.

Valeu!  Tá falado!

Hoje, o sol virou saudade

(e eu que falo em liberdade,

não escapo dessas grades

do destino . . . oh! crueldade

que é viver, pois amor que vem, invade,

abocanha sem piedade

e se vai só de ruindade).

Acabou-se esse momento,

o nosso momento.

Meu sopro, pensamento,

ânimo, acalento,

fica, agora, de momento,

esperando no lamento . . .

Minha turma bagunçada,

vai morar em cada estrada,

vai ficar, mesmo, guardada

em canto da morada

do meu sonho, na jornada . . .

Sem mais, valeu moçada!!

João