quinta-feira, 17 de outubro de 2019

sábado, 5 de outubro de 2019

Um assalto

Vida, um assalto!

As vozes do tempo,
as juras, os sonhos,
as noites.

Todos os trotes
e as festas:
anjos, demônios
e pescadores,
a noite e o dia,
a flor e a lança,
os afagos ...

Meu mundo foi vento,
peleja!
As certezas
eram planetas
frios, decadentes.

Um dia, sonhei!
E as luzes radiantes
arderam tudo.
Que bom! Que lindo!

E a vida andou,
floriu, brotou ...
e secou.
Sorte das palmeiras
que balançam.

A epopeia andou tudo!
Que sorte!
Mas o  céu se fechou!

As voltas dadas
e as cores cinzas
vingaram!

O rio secou,
a noite emudeceu,  
e o rochedo esfarelou.

Sorte! Mais ainda!

Novo mundo!
Novas poesias!
E um outro quadro
a se desenhar,
simples,
despretencioso
e real.   

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Encarcerado

Que tristes as paredes
estacionadas!
São frias,
narradoras insensíveis
da solidão da manhã,
do tempo a escorrer,
da vida a se esvair.

Que sonhos ainda vivem,
se elas, opacas, estáticas,
não me gritam,
nem me acordam,
ou sacodem?

Lá de onde vem a luz pouca,
que as descreve
e as exalta mais que o devido,
deve haver signos novos,
"auroras que não brotaram",
acenos de amores,
pensamentos,
vida a querer viver.

Mas parece que,
de tão paralíticas, sonsas,
preferem se calar
ou cantar pra dentro,
afagando com seda
a solidão que inspiram
e expiram.

De mãos dadas,
encarceram o desistir,
alimentando-o, sempre.
Blindam o silêncio
de todas as melodias
e versos de vida.
Festejam o medo,
o vazio e as infinitas
ou fúteis dores do mundo.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

UM DOMINGO QUALQUER


Ares frescos na manhã,
uma luz entre tímida
e acomodada.
Anseios de vida ...
e vidas,
um sonho a rolar
pela brisa,
alguma dor...


E as cores a brincar
na janela,
canções a se abraçar
no distante,
alaridos desajeitados
a tentar seu momento,
sua rebeldia.


Nada mais que um dia
de domingo,
um repouso do querer,
ou apenas
um querer que não se quer.

domingo, 16 de junho de 2019

BARZINHO



Há uma noite
e seus sons.

Bárbaros festejantes
a soltar bárbaros gritos,

e cândidas bocas
a sibilar notas
pretensiosas.

Um que se aventura
em ser romântico,
e soprar poemas
aos ouvidos da amada.

Outro que declama,
reclama verdades suas
aos que apenas querem
ouvir a música
desengonçada.

Há olhos perdidos,
outros presos,
e alguns, caçadores.

A noite existe
no que se vê
e no que se espera,
ou se teme.

Há uma noite!
E eu a adoro!

quinta-feira, 4 de abril de 2019

NUMA FENDA DO TEMPO


Sons e luzes silentes
pelos caminhos,
canções embotadas
 pela vida,
 letras mortas
a dizer da estrada só dor,
do sol pueris versos,
da casa arrumada saudade.

A rosa floriu, sim,
 dançou,
me escreveu poemas,
voou ... Mais que o céu,
tingiu meus dias,
me tomou, seduziu,
me fez amante,
me levou.

Porém, no alvoroço da festa,
tropecei numa fenda do tempo,
num espaço esquecido
da minha andança,
e a atropelei ...
e esmaguei.

As canções que compusera,
pobres, se calaram.
O vinho azedou,
a roda estancou...
O perfume que ficou
aos poucos se espalhou
e se perdeu.

E aquele riso abusado,
repentino,
vício novo regalado,
de tão largo, ousado,
se fez miúdo,
acanhado.
Encolheu-se pro mundo,
se apagou feito a noite
e se fechou.


domingo, 31 de março de 2019

A ESTHER

Já sabia da tua voz ...
teus trejeitos,
tua graça
e teu saber gratuito.

Faltavam-me
tua beleza
e teu olhar direto,
certeiro.

Hoje, te encontrei inteira,
atenta e tímida,
viva!

Hoje, me encontrei
na tua beleza,
no teu mundo terno,
na tua vida:
promessa de mais,
mais vida.

Hoje, me alegro
por teu presente
e teu futuro;
me atiro a teu querer
e me ofereço a teus sonhos
e tuas questões.

Teu mestre,
teu brilho,
tua possível lágrima;
assim é a vida...

Hoje, me conquistas
e me afagas.
Hoje, sou teu amigo,
de verdade,
na busca do saber,
da ciência
e das vidas muitas
que a vida  puder ter
e que as possamos viver.